Nem toda história precisa virar um livro: outras formas de transformar palavras em experiências
Cartas, mensagens, cartões, personagens e outras ideias que mostram que a escrita pode ir muito além das páginas de um livro

Quando pensamos em levar uma história para o papel, livro é uma das primeiras ideias que vêm à cabeça. Mas a verdade é que nem toda história precisa de centenas de páginas, capítulos, capa e lombada para ser contada.
Algumas cabem em uma única folha. Outra demandam a adição de um envelope. Algumas podem virar um folheto, um cartão ou um álbum. Todas elas podem chegar como uma surpresa, transformando momentos simples em uma lembrança que alguém vai guardar por muitos anos.
Para o mundo corporativo, vale o mesmo. A celebração de uma jornada ou de um momento marcante pode virar uma história que chega às pessoas de outra forma que não um livro. Pode ser uma mensagem especial no portal interno, um cartão inesperado, um folder com um texto comemorativo ou até um e-mail um pouco mais longo.
Todas essas ideias partem de um pergunta:
“Será que dá para fazer algo diferente?”
Nesse artigo, veremos como isso é possível.
Quando o texto deixa de ser apenas texto
Estamos tão acostumados a pensar na escrita como uma forma de transmitir informações que, às vezes, esquecemos que as palavras têm outra capacidade muito poderosa: elas podem criar experiências.
Vamos imaginar uma criança na noite de Natal. Ela recebe seu presente tão esperado e, junto dele, encontra uma carta 'escrita' pelo próprio Papai Noel, na qual ele fala sobre o dia em que ela perdeu o primeiro dente, celebra o cachorrinho que acabou de chegar à família e comemora que a criança aprendeu a andar de bicicleta.
O presente continua sendo o mesmo, mas o significado mudou, porque junto a ele não veio apenas uma carta. Por alguns minutos, aquela criança entrou em uma história que deu outro sentido à sua vivência natalina.
E não é preciso ser criança nem esperar pelo Natal para viver algo assim.
Uma carta pode chegar em um aniversário. Uma mensagem pode fazer parte de uma homenagem surpresa. Uma história pode ser criada para uma turma inteira de alunos ou para irmãos, família ou um grupo de amigos.
Em uma organização, centenas ou milhares de funcionários podem ser impactados por palavras que chegam em um formato inesperado.
As possibilidades se multiplicam quando deixamos de perguntar “que texto vamos escrever” e passamos a pensar em “que experiência queremos criar”.
Personalizar é muito mais do que colocar um nome
Para que a experiência funcione, entretanto, há uma condição: quem recebe precisa reconhecer alguma coisa de si naquela história. É por isso que um texto personalizado não se torna realmente pessoal apenas porque colocamos um nome no início da página.
São os pequenos detalhes que fazem alguém sentir que “isso foi escrito para mim.” Pode ser a menção a um hábito engraçado ou a uma conquista recente. Uma frase que aquela pessoa costuma dizer. Uma dificuldade que ela conseguiu superar. Um sonho. Um medo. Uma lembrança que só faz sentido para quem viveu aquilo.
Esses elementos, que podem parecer pequenos isoladamente, criam reconhecimento e pertencimento quando são associados a uma narrativa criada para significar algo àquela pessoa ou àquele grupo. Quando há uma personalização real e intencional, a história deixa de servir para qualquer um e passa a pertencer á quem foi destinada independente de seu formato.
A personalização dá valor ao projeto, mesmo que ele seja apenas um parágrafo escrito para ilustrar a capa de um caderno de trabalho. Isso porque personalizar implica também em colocar a voz do narrador naquela história, algo indispensável para a experiência.
Se uma criança recebe uma carta do Papai Noel, não basta que o conteúdo fale sobre ela. Ela precisa enxergar o bom velhinho em cada palavra utilizada, no tom das frases, nas brincadeiras que ele faz e nos acontecimentos, personagens e fatos que cita. Para isso, é preciso que essa carta contemple, com cuidado e detalhadamente, como Papai Noel falaria, o que ele saberia, como explicaria determinadas situações e que tipo de humor ou carinho caberia naquela conversa.
Vale o mesmo para qualquer outro formato que se escolha para contar uma história. Da fada do dente ao CEO de uma organização, a voz de quem fala precisa estar ali. É um exercício de ghostwriting com uma pequena 'complicação': às vezes, o autor da história nem existe (ou vive na nossa imaginação).
Histórias não precisam caber em categorias
Assim como nem toda história precisa virar um livro, ela também não precisa se resumir a carta, cartão ou e-mail nem envolver personagens, magia, mistério ou ser um projeto de ghostwriting.
Às vezes, alguém simplesmente tem uma ideia diferente envolvendo história e escrita, como querer transformar a lembrança de algo vivido em um presente. Ter um texto escrito para uma ocasião específica - um discurso de formatura ou aniversário, por exemplo. Fazer uma surpresa que depende de uma história para funcionar. Essa ideia não precisa ter nome, formato ou referência pronta para que funcione e, menos ainda, para explicar exatamente o que se pretende fazer.
Projetos criativos, geralmente, começam com uma intenção para que, então, se encontre a melhor forma de executá-los. O formato acaba sendo consequência daquilo que se quer provocar.
É por isso que nem toda história precisa virar um livro. Algumas precisam apenas encontrar a forma certa para chegar até alguém. E, de vez em quando, essa forma começa com uma ideia tão diferente que a primeira pergunta é inevitável:
“Será que dá para fazer?”
A nossa resposta favorita é: Dá sim.
Tem uma história para contar, mas quer algo diferente de um livro?
Conte para a Era Uma Vez! Vamos descobrir juntos o caminho a seguir.

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