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ERA UMA VEZ... 

Será que a história que eu quero contar é interessante o suficiente para virar um livro?

camilavmh
Aug 18
4 min read
E a sua?
E a sua?

Essa não é uma dúvida incomum entre as pessoas que têm vontade de registrar algo que viveram, experiências que ficaram marcadas ou lembranças que não gostariam de deixar se perder. E esse questionamento é especialmente recorrente quando se trata de biografias ou livro de memórias.


Uma das razões para essa insegurança tem a ver com aquilo que estamos acostumados a relacionar com esse tipo de publicação: grandes personalidades, acontecimentos históricos, feitos marcantes e trajetórias extraordinárias.


Diante de tantos personagens e jornadas assim, é natural olhar para a própria vida e pensar: quem vai ter interesse em ler sobre mim?


Bem, antes de tudo, é importante deixar claro que não é preciso ser famoso ou ter realizado algo excepcional ou vivido uma aventura cinematográfica para escrever uma biografia ou um livro de memórias. O que precisa haver é algo que mereça ser contado, e acima de tudo, um propósito para contar.


Portanto, as perguntas mais adequadas talvez não sejam “quem terá interesse?” ou “minha história é interessante o suficiente?”. A principal questão é:


O que existe na minha história que não deve ser esquecido?


A resposta será diferente de pessoa para pessoa e é justamente aí que reside a singularidade de cada história.


Quando se olha por esse ângulo, aparecem os mais variados motivos: quero deixar registrado para sempre o lugar onde passei minha infância, que foi tão especial e hoje não existe mais; quero que todos saibam que foi meu avô quem inventou tal equipamento, embora ele nunca tenha ganho um centavo por isso; quero compartilhar com os outros os aprendizados quando acompanhei a doença da minha mãe; ou quero que meu filho conheça as aventuras vividas pelo pai dele, que faleceu quando ele ainda era bebê.


Pode ser também o desejo de dividir um conhecimento acumulado durante décadas de trabalho ou uma experiência que transformou a maneira de uma pessoa enxergar o mundo. Ou então algo mais simples: as receitas de uma avó e o que se viveu em torno de uma mesa de cozinha; as dificuldades dos primeiros anos de casamento; as histórias familiares, repetidas em cada encontro de família, que todo mundo conhece, mas que ninguém escreveu.


O valor de uma história não está, necessariamente, na dimensão dos acontecimentos que ela reúne, mas no significado que esses acontecimentos carregam.


E isso leva a uma segunda pergunta igualmente importante:


Para quem você quer contar essa história?


Nem todo livro precisa ser escrito para milhares de leitores ou interessar a todo mundo. Uma história familiar pode ter um enorme valor para filhos e netos sem jamais chegar a uma livraria. Uma trajetória profissional pode interessar especificamente às pessoas daquela área e a história de uma empresa pode ser relevante para quem ajudou a construí-la.


Ou seja: não há nada de errado em escrever um livro para um grupo restrito de pessoas.


É claro que pode acontecer de ele começar como um projeto pessoal e acabar conquistando leitores inesperados. Curiosamente, aquilo que há de mais particular em uma história é o que, muitas vezes, gera identificação em outras pessoas, e o que hoje parece cotidiano pode se tornar precioso com o passar do tempo. Mas o ponto principal é: se você tem algo a dizer, um propósito para fazê-lo e um público a quem possa interessar...


...por que não escrever?


Fotografias ajudam a preservar rostos, lugares e momentos. Documentos registram datas e acontecimentos. Mas são as histórias que guardam o que existia em torno de tudo isso: o que acontecia por trás daquela fotografia, o que se sentiu no momento da assinatura daquele documento, os medos, os anseios, os afetos, as escolhas, as dificuldades, enfim, tudo aquilo que um registro objetivo não é capaz de guardar.


A escrita permite preservar esses detalhes.


E por onde começar?


O pulo do gato é encontrar o fio condutor da história, ou seja, o ponto chave que irá unir os acontecimentos e guiar a narrativa.


Com isso, fica mais fácil decidir o que deve ser contado, o que pode ficar de fora, onde a história começa e qual caminho ela deve percorrer. Afinal, contar uma história também implica em fazer escolhas, assim como na vida.


Quando estamos envolvidos na história, porém, pode ser mais difícil enxergar esse caminho. Não é raro darmos importância excessiva a acontecimentos que nem sempre são fundamentais para a narrativa e negligenciarmos pequenos episódios que podem ser altamente interessantes.


É aí que o olhar de alguém de fora faz a diferença e o trabalho do ghostwriter ganha ainda mais valor. Ouvir, pesquisar, organizar o material bruto, selecionar acontecimentos, estabelecer conexões e colocar os holofotes nos pontos certos ajuda a revelar, em meio a tantas informações, qual a melhor forma de contar aquela história. É durante esse processo que aquela pessoa que começou se perguntando se sua história daria um livro descobre que a questão nunca foi essa.


Se você chegou até aqui porque também se pergunta se a sua história daria um livro, talvez já tenha encontrado parte da resposta.


Que tal dar o próximo passo?

 

 

 

 

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Atualizado em agosto de 2026. 

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